23 de setembro de 2026 · 8 minutos de leitura · Escrito por Lauro Bevitóri Azerêdo
Eu comecei esta análise por uma pergunta que parece simples, mas não é: quanto dinheiro o futebol brasileiro está colocando no mercado de jogadores estrangeiros?
A pergunta ganhou importância depois que a Confederação Brasileira de Futebol aprovou uma redução gradual do número de estrangeiros que poderão ser relacionados por partida nas Séries A e B.
Hoje, o limite é de nove. A partir de 2027, serão oito; depois sete, seis e, finalmente, cinco em 2030.
Mas existe uma história anterior à mudança da regra. Nos últimos anos, a presença estrangeira no futebol brasileiro cresceu. E ela cresceu não apenas no número de jogadores contratados, mas também na quantidade de atletas que efetivamente entram em campo.
Por isso, decidi olhar para o problema por quatro ângulos: contratações, presença nos elencos, utilização e dinheiro.
Não é correto pegar o gasto total das transferências do Brasileirão e chamá-lo de “dinheiro gasto com estrangeiros”. Brasileiros e estrangeiros estão misturados nesses números. Por isso, os valores financeiros precisam ser identificados operação por operação.
Compartilhe esta análise com quem também acompanha economia e futebol.
Índice
- A nova regra da CBF
- O crescimento das contratações estrangeiras
- Contratar não é o mesmo que jogar
- Quanto dinheiro está nesse mercado?
- E a Série B?
- De onde vêm os jogadores?
- A questão econômica por trás da regra
- Como os dados foram tratados
- O que os números mostram
- Perguntas frequentes
A nova regra da CBF
A CBF e os clubes das Séries A e B aprovaram em 21 de setembro de 2026 uma redução gradual do limite de jogadores estrangeiros que podem ser relacionados por partida.
9 estrangeiros
8 estrangeiros
7 estrangeiros
6 estrangeiros
5 estrangeiros
A mudança não significa que os clubes passarão a poder ter apenas cinco estrangeiros em seus elencos. A regra trata especificamente do número de atletas estrangeiros que podem constar da súmula de cada partida.
A CBF informou ainda que a média observada na Série A foi de 5,4 estrangeiros relacionados por partida em um universo de 219 jogos analisados. Ou seja, o limite de nove não vinha sendo atingido, em média, em todas as partidas.
Também haverá mudança na lista de inscritos
| Ano | Lista A | Lista B |
|---|---|---|
| 2027 | 30 | 20 |
| 2028 | 29 | 21 |
| 2029 | 27 | 23 |
| 2030 | 25 | 25 |
A CBF informou que a proposta mantém o limite total de 50 atletas inscritos por clube, mas aumenta progressivamente o espaço reservado à Lista B, formada por jogadores Sub-23.
O crescimento das contratações estrangeiras
Antes de olhar para o dinheiro, existe um indicador mais fácil de medir: quantos estrangeiros foram contratados.
Segundo a série histórica mais recente do Gato Mestre, a Série A registrou:
| Temporada | Estrangeiros contratados | Participação nos reforços |
|---|---|---|
| 2021 | 42 | 16,22% |
| 2022 | 66 | 18,49% |
| 2023 | 76 | 23,03% |
| 2024 | 93 | 29,06% |
| 2025 | 83 | 24,48% |
Somadas, foram 360 contratações estrangeiras na Série A entre 2021 e 2025.
Existe uma pequena diferença entre levantamentos publicados pelo próprio ge em momentos distintos. Uma publicação de 2024 apontava 90 estrangeiros naquele ano e 77 em 2023, enquanto a base posteriormente atualizada do Gato Mestre apresenta 93 e 76. Para esta análise, mantenho a série mais recente.
Contratar não é o mesmo que jogar
Essa é uma distinção que considero fundamental.
Um jogador pode ser contratado, integrar o elenco, ser inscrito, ser relacionado e ainda assim não entrar em campo. Por isso, “número de estrangeiros contratados” não pode ser usado como sinônimo de “presença estrangeira no Brasileirão”.
O levantamento do Gato Mestre mostra que o número de estrangeiros utilizados na Série A também cresceu de forma expressiva: foram 95 em 2022, 149 em 2024 e 161 em 2025.
A CBF, utilizando seu próprio levantamento, informa que 95 estrangeiros entraram em campo na Série A em 2022, 162 em 2025 e 146 já haviam sido utilizados em 2026 no momento da análise.
Fluxo: quantos estrangeiros foram contratados.
Estoque: quantos estrangeiros estavam nos elencos.
Utilização: quantos efetivamente entraram em campo.
É justamente por isso que comparar apenas o número de contratações pode produzir uma fotografia incompleta do mercado.
Quanto dinheiro está nesse mercado?
Aqui está a parte mais delicada da investigação.
O Transfermarkt registra, por exemplo, €512,45 milhões em despesas de transferências na Série A 2024/25. Mas esse número inclui todos os jogadores: brasileiros e estrangeiros.
Portanto, seria metodologicamente errado escrever que o futebol brasileiro gastou €512,45 milhões com estrangeiros.
Para descobrir o valor efetivamente relacionado aos jogadores estrangeiros, seria necessário filtrar cada operação individualmente e identificar a quantia paga.
Um exemplo da diferença
Na base de transferências aparecem operações envolvendo estrangeiros com valores específicos. O Transfermarkt separa a coluna de quantia paga do valor de mercado do atleta.
Essa diferença é fundamental.
Um jogador avaliado em €10 milhões não necessariamente foi comprado por €10 milhões.
Por isso, nesta reportagem, não transformo valor de mercado em “dinheiro gasto”.
Por que não existe um número fechado aqui?
Porque parte das transferências aparece sem valor divulgado, enquanto outras envolvem empréstimos, jogadores livres ou operações cujo preço não está disponível publicamente.
Um número total apresentado sem separar essas situações poderia transmitir uma precisão que a base de dados não possui.
Por isso, a forma correta de construir essa estatística é trabalhar com o conceito de valor mínimo identificado: a soma das operações cujo preço de transferência foi efetivamente localizado e classificado.
E a Série B?
A internacionalização não está restrita à elite.
Em abril de 2025, levantamento do ge encontrou 57 jogadores nascidos fora do Brasil distribuídos por 17 dos 20 clubes da Série B. Amazonas e Paysandu tinham oito estrangeiros cada, enquanto Athletic-MG, Criciúma e Ferroviária não tinham jogadores nascidos fora do Brasil naquele momento.
Outro levantamento do ge publicado em junho daquele ano encontrou 60 estrangeiros na competição. A diferença mostra novamente como a data de coleta interfere na fotografia do mercado.
A própria Série B também oferece um exemplo de como o limite pode ser atingido: em julho de 2025, o Athletico-PR chegou a nove estrangeiros no elenco e atingiu o então limite de jogadores que poderiam ser relacionados por partida.
Portanto, a discussão não pertence apenas aos clubes mais ricos da primeira divisão. Ela também alcança a segunda divisão e clubes que utilizam o mercado internacional para montar seus elencos.
De onde vêm os jogadores?
A presença estrangeira no Brasil tem forte concentração sul-americana, especialmente entre argentinos, uruguaios, colombianos e paraguaios.
No levantamento do Gato Mestre publicado em 2025, os argentinos lideravam o número de estrangeiros presentes na Série A, com 47 jogadores.
Na Série B de 2025, porém, a composição era mais diversificada. O levantamento do ge encontrou atletas de diferentes regiões, incluindo representantes da África, Europa e América do Sul.
Isso revela uma característica importante do mercado: o futebol brasileiro não está apenas importando jogadores de um único mercado regional.
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A questão econômica por trás da regra
A CBF relacionou a mudança regulatória à queda na participação dos jogadores jovens brasileiros.
Segundo os dados apresentados pela entidade, a participação de estrangeiros acima de 23 anos nos minutos da Série A aumentou de 7,8% em 2020 para 25% em 2026.
No mesmo período, a minutagem de brasileiros Sub-23 caiu de 28,3% para 11,5%.
A CBF também informou que atletas Sub-23 somaram 13,8% dos minutos disputados na Série A em 2026.
Esses números descrevem uma mudança relevante na composição da utilização dos jogadores. Eles, sozinhos, porém, não permitem concluir que a presença de estrangeiros seja a única causa da redução da minutagem dos jovens brasileiros.
Existe também uma dimensão de mercado
A CBF informou que jogadores de até 20 anos responderam por 50,1% das receitas brasileiras com transferências para o exterior entre 2016 e 2025.
Esse dado introduz uma segunda dimensão econômica: formar jovens jogadores não significa apenas preencher escalações. Também pode significar criar ativos esportivos que posteriormente são negociados com clubes estrangeiros.
A discussão, portanto, envolve duas forças diferentes:
- a busca dos clubes por jogadores capazes de competir imediatamente;
- a formação e valorização de atletas jovens para utilização esportiva e eventual negociação.
Como os dados foram tratados
Esta reportagem utiliza diferentes bases e, por isso, cada número deve ser interpretado dentro do seu próprio critério.
- Contratações estrangeiras: série histórica do Gato Mestre.
- Presença nos elencos: levantamentos de ge e bases de competições.
- Jogadores utilizados: levantamentos de Gato Mestre, CBF e Transfermarkt.
- Transferências: registros individuais do Transfermarkt e fontes jornalísticas quando necessário.
- Valor de mercado: não é tratado como valor pago.
- Operação sem preço divulgado: não é convertida artificialmente em zero.
Não existe, nas fontes consultadas, uma base oficial única da CBF que apresente todos os gastos com estrangeiros na Série A e Série B, ano a ano, com valores individualizados. Por isso, um total financeiro definitivo exigiria uma reconstrução transacional completa.
Como acompanhar o mercado de jogadores estrangeiros?
Mais do que acompanhar anúncios, é preciso entender o que realmente aconteceu em cada transferência.
Confirme a contratação
Confira o anúncio oficial do clube e confirme quem foi contratado.
Identifique a origem
Verifique a nacionalidade do jogador e o clube de origem.
Entenda a operação
Descubra se foi compra, empréstimo, contratação livre ou outro tipo de operação.
Separe os valores
Não confunda valor de mercado com o valor efetivamente pago pelo clube.
Observe o campo
Compare a contratação com a utilização efetiva do jogador nas partidas.
Volte à fonte
Consulte as fontes originais antes de interpretar ou comparar os números.
Um jogador estrangeiro não é necessariamente uma contratação cara. Da mesma forma, seu valor de mercado não representa automaticamente o dinheiro gasto pelo clube. É essa diferença que precisa ser observada ao analisar o mercado de transferências.
O que os números mostram
O futebol brasileiro aumentou significativamente sua exposição ao mercado internacional nos últimos anos.
Na Série A, o número de contratações estrangeiras passou de 42 em 2021 para 83 em 2025, com pico de 93 em 2024.
Ao mesmo tempo, aumentou o número de estrangeiros utilizados nas partidas. A CBF registra 95 jogadores estrangeiros utilizados em 2022 e 162 em 2025.
Agora, a trajetória regulatória muda de direção: o limite de nove estrangeiros por partida será reduzido progressivamente até cinco em 2030.
E existe uma diferença que vale preservar: contratar estrangeiros é uma decisão de mercado; utilizá-los é uma decisão esportiva; formar jovens é uma estratégia de desenvolvimento; e gastar dinheiro em transferências é uma questão financeira.
As quatro coisas se relacionam, mas não são a mesma coisa.
É justamente nessa interseção entre futebol, dinheiro e formação de jogadores que a nova regra da CBF ficará mais interessante de acompanhar nos próximos anos.
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Perguntas frequentes
O que muda para o Brasileirão da Série B com a nova regra de estrangeiros?
A regra aprovada pela CBF também alcança a Série B. O limite de estrangeiros relacionados por partida passa de nove em 2026 para oito em 2027, sete em 2028, seis em 2029 e cinco em 2030.
Quantos estrangeiros podem jogar no Brasileirão?
Em 2026, o limite é de nove estrangeiros relacionados por partida. A partir de 2027, começa a redução gradual até cinco em 2030.
Onde acompanhar o Brasileirão ao vivo?
Acompanhe os canais oficiais das competições, emissoras e plataformas que detenham os direitos de transmissão. A disponibilidade pode variar conforme o jogo, a rodada e a plataforma.
Como funciona a transmissão do Brasileirão?
A transmissão depende dos direitos adquiridos para cada temporada e pode variar entre televisão aberta, televisão por assinatura e plataformas digitais. É necessário verificar a programação oficial para cada partida.
Onde consultar resultados do Brasileirão no Flashscore?
Plataformas de resultados esportivos, como o Flashscore, apresentam placares, escalações, estatísticas e outros dados de partidas. Para informações oficiais sobre regulamento e competição, a fonte primária continua sendo a CBF e os organizadores das competições.
Brasileirão: onde assistir aos jogos?
A resposta depende dos direitos de transmissão de cada temporada e partida. O ideal é consultar a programação oficial das emissoras e plataformas responsáveis pelo jogo específico.
A nova regra também vale para o Brasileirão da Série C?
A decisão anunciada pela CBF em setembro de 2026 trata da redução do limite de estrangeiros nas Séries A e B. Portanto, não é correto atribuir automaticamente a mesma regra à Série C sem uma regulamentação específica.
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Fontes e bases consultadas
Os dados desta análise foram confrontados entre fontes institucionais, jornalísticas e bases especializadas em transferências.
Regra aprovada para redução gradual dos estrangeiros e dados apresentados pela entidade.
Levantamentos estatísticos sobre contratações e presença de estrangeiros no futebol brasileiro.
Transferências, nacionalidades, clubes de origem e quantias pagas registradas na base.
Dados de jogadores estrangeiros utilizados na Série A e sua participação entre os atletas utilizados.
Nota metodológica: as fontes utilizam critérios e datas de coleta diferentes. Por isso, números de contratações, jogadores nos elencos e atletas utilizados não devem ser tratados como a mesma métrica.
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