5 curiosidades sobre mercados, ciência e investimentos

CURIOSIDADES • MERCADOS • CIÊNCIA • SOCIEDADE

5 curiosidades que revelam mudanças nos mercados e na sociedade

Da disputa entre bolsas de valores a uma nova estrutura de carbono, passando pela confiança nas profissões e pelas escolhas financeiras de investidores de alto patrimônio, estas histórias mostram transformações que merecem ser entendidas além das manchetes.

Modelo molecular da estrutura tridimensional do diamondiyne, uma nova forma porosa de carbono
Representação molecular do diamondiyne. Ilustração: Yizhou Yang/Chalmers University of Technology. Fonte: University of Gothenburg.

Por Lauro Bevitóri Azerêdo
Atualizado em 24/10/2026 às 20h05

Algumas notícias parecem tratar de assuntos completamente diferentes, mas revelam mudanças importantes na maneira como consumimos informação, investimos dinheiro, avaliamos profissionais e desenvolvemos novas tecnologias.

Nesta seleção, reunimos cinco curiosidades com dados e fontes identificados. O objetivo é explicar o que os fatos mostram, por que chamam atenção e quais conclusões ainda exigem cautela.

O que você vai descobrir:
  • Por que influenciadores de notícias disputam a atenção com veículos tradicionais.
  • Como a Nasdaq abriu vantagem sobre a NYSE na captação de grandes IPOs.
  • O que a ciência descobriu com o diamondiyne, uma nova estrutura de carbono.
  • Quais profissões inspiram mais confiança entre os brasileiros.
  • Por que a renda fixa ocupa espaço expressivo nas carteiras analisadas de investidores de alto patrimônio.

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1. Influenciadores de notícias estão mudando a relação com a mídia tradicional

O consumo de notícias já não depende apenas de jornais, emissoras de televisão e portais. Criadores de conteúdo publicam explicações, entrevistas e atualizações diretamente nas redes sociais, muitas vezes em formatos curtos e com uma linguagem mais pessoal.

Uma reportagem do Estadão, publicada em outubro de 2026, aborda o impacto dos chamados influenciadores de notícias, ou newsfluencers, sobre os meios tradicionais. A discussão envolve tanto a disputa pela atenção quanto a maneira como o público estabelece confiança em quem transmite informações.

O fenômeno não significa que o jornalismo profissional tenha perdido sua função. Significa que os veículos tradicionais precisam disputar espaço em ambientes onde o conteúdo informativo aparece ao lado de entretenimento, publicidade e opiniões pessoais.

Alcance não é a mesma coisa que credibilidade

Um vídeo pode alcançar milhões de pessoas sem que suas afirmações tenham sido verificadas. Da mesma forma, uma publicação de um veículo jornalístico não está automaticamente livre de erros. A diferença está nos métodos de apuração, na transparência das fontes, na correção de falhas e na responsabilização por aquilo que é publicado.

Curiosidade: o formato de apresentação pode aproximar o público de uma notícia, mas não substitui a verificação das informações.
Insight: por que os veículos tradicionais precisam se adaptar?

As redes sociais reduzem a distância entre quem produz e quem consome informação. Jornalistas e veículos podem usar esse ambiente para explicar acontecimentos, responder dúvidas e distribuir reportagens. O desafio é adaptar a linguagem sem abandonar a apuração, o contexto e a correção de erros.

Essa é uma interpretação editorial sobre a transformação do consumo de notícias, não uma afirmação de que todos os influenciadores trabalham da mesma maneira.

Fonte: Estadão — Influenciadores de notícias impactam a mídia tradicional.

2. Nasdaq versus NYSE: a disputa pelos grandes IPOs

As bolsas de valores não competem apenas pelo volume diário de negociações. Também disputam a entrada de empresas que decidem abrir o capital e vender ações ao público pela primeira vez, processo conhecido como IPO, sigla em inglês para oferta pública inicial.

Segundo reportagem do InvestNews, publicada em 22 de outubro de 2026, dados da Dealogic mostravam uma vantagem expressiva da Nasdaq nas ofertas tradicionais realizadas naquele ano até a data de referência da reportagem.

Captação em IPOs na NasdaqQuase US$ 120 bilhões
Captação em IPOs na NYSEUS$ 20 bilhões

Fonte: Dealogic, conforme reportagem do InvestNews/The Wall Street Journal publicada em 22/10/2026. Valores aproximados, referentes ao período acumulado apresentado pela reportagem. A barra usa escala proporcional ao valor de US$ 120 bilhões.

IndicadorNasdaqNYSE
Empresas em IPOs tradicionais5932
Captação aproximadaUS$ 120 bilhõesUS$ 20 bilhões

Fonte: Dealogic, conforme a reportagem citada. Os números correspondem ao recorte temporal descrito pela fonte, não ao total histórico de captação das bolsas.

Uma parte importante da diferença estava relacionada à SpaceX, que respondeu por aproximadamente US$ 86 bilhões do total atribuído à Nasdaq, segundo a reportagem. O texto também mencionava a possibilidade de a Anthropic escolher a bolsa para uma oferta futura. Essa possibilidade deve ser tratada como expectativa reportada naquele momento, não como uma decisão confirmada.

Por que uma empresa escolhe determinada bolsa?

A decisão pode envolver visibilidade, custos, serviços para empresas listadas, liquidez, perfil dos investidores e estratégia de mercado. A história da Nasdaq está fortemente ligada a empresas de tecnologia, enquanto a NYSE mantém uma longa tradição de grandes companhias consolidadas.

Insight: uma bolsa captar mais em IPOs não significa que todas as empresas listadas nela sejam melhores

O volume captado mede o dinheiro levantado pelas empresas nas ofertas consideradas. Não mede diretamente a qualidade das companhias, o retorno posterior das ações nem o desempenho de todos os ativos negociados na bolsa.

Uma oferta muito grande pode alterar substancialmente o total anual. Por isso, vale observar tanto os números agregados quanto a concentração da captação em poucas operações.

Fonte: InvestNews/The Wall Street Journal — disputa entre NYSE e Nasdaq.

3. Diamondiyne: uma nova estrutura de carbono criada em laboratório

O carbono pode formar materiais com propriedades muito diferentes. Diamante e grafite, por exemplo, são constituídos pelo mesmo elemento químico, mas a organização de seus átomos é diferente.

Em artigo científico publicado em 14 de setembro de 2026 na revista Angewandte Chemie International Edition, pesquisadores descreveram a síntese do diamondiyne, uma nova forma estrutural de carbono com uma rede tridimensional que combina hibridizações sp e sp³.

Representação da estrutura de carbono diamondiyne divulgada pela Universidade de Tecnologia de Chalmers
Estrutura de carbono diamondiyne. Fonte: Universidade de Tecnologia de Chalmers.

O estudo descreve uma rede expandida com topologia semelhante à do diamante. Os pesquisadores produziram filmes de carbono amorfo contendo pequenos cristais de diamondiyne por meio de uma reação controlada em uma interface entre líquidos.

A estrutura é relevante para a ciência dos materiais porque amplia as possibilidades de organização do carbono em redes tridimensionais. Isso pode orientar novas investigações sobre propriedades e aplicações futuras.

O que é importante entender: o diamondiyne é uma descoberta científica, não um produto comercial cuja utilidade e rentabilidade já estejam comprovadas.
Insight científico: por que a estrutura dos átomos importa?

As propriedades de um material dependem não apenas dos elementos químicos presentes, mas também da forma como seus átomos se conectam e se organizam. Estruturas diferentes podem alterar características como rigidez, porosidade, condutividade e comportamento químico.

Quais propriedades específicas o diamondiyne poderá apresentar e quais aplicações serão viáveis ainda dependem de estudos adicionais.

Fontes científicas:

4. Quais profissões inspiram mais confiança nos brasileiros?

Uma pesquisa da Ipsos publicada em setembro de 2026 investigou o nível de confiança em diferentes profissões. No Brasil, professores, cientistas e médicos ocuparam as primeiras posições entre as categorias avaliadas.

Professores56%
Cientistas53%
Médicos52%

Fonte: Ipsos, Monitor Global de Confiança nas Profissões 2026, publicado em 14/09/2026. Percentuais de confiança declarada entre os entrevistados brasileiros.

Na outra ponta do levantamento, 66% dos entrevistados brasileiros afirmaram não confiar nos políticos. Influenciadores de redes sociais e ministros do governo registraram 57% de desconfiança cada, segundo a Ipsos.

Categoria avaliadaResultado no BrasilTipo de indicador
Professores56%Confiança
Cientistas53%Confiança
Médicos52%Confiança
Políticos66%Desconfiança
Influenciadores de redes sociais57%Desconfiança
Ministros do governo57%Desconfiança

Fonte: Ipsos. Atenção: a tabela combina indicadores diferentes. Os três primeiros representam confiança declarada; os três últimos, desconfiança declarada. Não se deve subtrair ou comparar os valores como se fossem a mesma medida.

Como a pesquisa foi feita?

O Monitor Global de Confiança nas Profissões 2026 foi realizado em 31 países, por meio da plataforma online Global Advisor, entre 19 de junho e 3 de julho de 2026. Foram entrevistados 23.537 adultos. A amostra brasileira foi de aproximadamente mil pessoas.

A Ipsos informa uma margem de erro de aproximadamente ±3,5 pontos percentuais para pesquisas online com amostra de mil pessoas, usando sua abordagem de intervalos de credibilidade. Os resultados representam respostas da amostra ponderada, não uma medição individual da confiança de todos os brasileiros.

Insight: confiança profissional não é a mesma coisa que confiança em uma informação específica

Uma pessoa pode confiar geralmente em determinada profissão e ainda questionar uma declaração específica. A avaliação de uma informação deve considerar evidências, competência no assunto, transparência e possibilidade de verificação.

O resultado da Ipsos descreve percepções declaradas pelos entrevistados. Ele não comprova, por si só, a qualidade de cada profissional ou a precisão de cada informação divulgada.

Fonte: Ipsos — Professores, cientistas e médicos lideram ranking de confiança no Brasil.

5. Onde os investidores de alto patrimônio estão colocando dinheiro?

Uma reportagem do Valor Investe publicada em 23 de outubro de 2026 apresentou dados da SmartBrain sobre a composição das carteiras acompanhadas pela plataforma. Em setembro, a renda fixa representou 50,89% dos recursos considerados no levantamento.

RENDA FIXA NA AMOSTRA ANALISADA

50,89%

Participação da renda fixa nas carteiras acompanhadas, segundo dados da SmartBrain referentes a setembro de 2026.

O dado chama atenção porque mostra que a renda fixa pode ter papel importante mesmo em carteiras de investidores com patrimônio elevado. Isso não significa que todos os milionários invistam da mesma forma ou que essa composição seja ideal para qualquer pessoa.

Como as outras classes apareceram no levantamento?

Classe ou categoriaParticipação em setembro de 2026
Renda fixa50,89%
Fundos multimercados25,96%
Outros ativos7,84%
Previdência privada7,60%
Ações6,50%
Investimentos imobiliários1,20%

Fonte: dados da SmartBrain divulgados em reportagem sobre a composição das carteiras de setembro de 2026. Os percentuais são os informados no levantamento reproduzido pela reportagem. A classificação de ativos e ETFs deve ser interpretada segundo a metodologia da fonte.

Dentro da renda fixa, os CDBs e instrumentos semelhantes tributáveis ligados ao CDI ou à Selic representaram 52,79% das aplicações dessa classe, segundo os dados reproduzidos na cobertura. LCIs e LCAs ligadas ao CDI representaram 17,41% das alocações de renda fixa.

Esses percentuais internos não devem ser somados diretamente às participações das classes da carteira: eles descrevem a composição dentro da renda fixa, e não a participação de cada instrumento no patrimônio total.

Por que a renda fixa pode continuar atraente?

Juros elevados podem aumentar a remuneração oferecida por títulos pós-fixados, embora o resultado efetivo dependa do produto, dos impostos, das taxas, do prazo e das condições de resgate. Ativos de maior liquidez também podem permitir que o investidor ajuste a carteira quando as condições econômicas mudam.

Isso não elimina os riscos. É necessário avaliar o risco de crédito, a liquidez, a inflação, a tributação e a possibilidade de mudanças nas taxas. Renda fixa não é sinônimo de ausência de risco.

Insight: por que não copiar a carteira dos milionários?

Uma carteira observada em um levantamento reflete as características da amostra, as condições de mercado e os objetivos dos investidores incluídos. Ela não revela necessariamente a situação financeira completa, os compromissos de cada pessoa, os ativos mantidos fora da plataforma ou sua tolerância a perdas.

Antes de decidir como investir dinheiro, é importante considerar objetivos, prazo, liquidez, diversificação e capacidade de suportar oscilações. O dado de 50,89% é descritivo, não uma recomendação de alocação.

Fonte: Valor Investe — O mapa do dinheiro dos milionários.

O que essas cinco curiosidades têm em comum?

Os assuntos parecem distantes, mas todos mostram como decisões e percepções são influenciadas por estruturas maiores: plataformas digitais, concorrência entre bolsas, avanços científicos, confiança pública e condições econômicas.

Os influenciadores disputam atenção; as bolsas disputam empresas e ofertas; os cientistas exploram novas estruturas de materiais; as pesquisas medem percepções sociais; e os dados de carteiras mostram como um grupo de investidores distribuiu seus recursos em determinado período.

Em todos os casos, a diligência importa. É preciso verificar a fonte, observar a data, entender o que está sendo medido e separar uma conclusão sustentada de uma hipótese.

Resumo em cinco pontos

  1. Alcance nas redes sociais não garante credibilidade.
  2. Captação em IPOs não é uma medida completa da qualidade de uma bolsa ou de suas empresas.
  3. O diamondiyne é uma descoberta científica promissora, mas suas aplicações ainda precisam ser investigadas.
  4. Pesquisas de confiança medem respostas de entrevistados, não a competência de cada indivíduo.
  5. A composição de uma carteira de alto patrimônio não é uma receita universal de investimento.

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