PREX11: O ETF prefixado da XP que supera a poupança em 2026

Por Lauro Bevitóri Azerêdo | Educação Financeira
Publicado em: 04 de Maio de 2026 | Atualizado em: 14 de Junho de 2026
⏱️ Tempo de leitura: 5 minutos
Infográfico técnico sobre o ETF PREX11 da XP Asset, destacando taxa de administração e índice IRF-M P2

Fonte: Imgur

Em um mercado de capitais cada vez mais sofisticado, a XP Asset lançou em 30 de abril de 2026 o PREX11, o primeiro ETF (Exchange Traded Fund) de renda fixa totalmente prefixado disponível na B3. Esse produto replica o índice IRF-M P2 da Anbima e representa um marco importante para quem busca previsibilidade de rentabilidade em títulos públicos. Na minha análise, esse movimento consolida a maturidade do nosso mercado secundário.

O que é um ETF?

Um ETF (Exchange Traded Fund ou Fundo de Índice Negociado em Bolsa) é um fundo de investimento que replica o desempenho de um índice específico — como o IRF-M P2 no caso do PREX11 — e é negociado na bolsa de valores da mesma forma que uma ação. Isso significa que o investidor pode comprar ou vender cotas a qualquer momento durante o pregão, com total transparência de preços e liquidez diária.

Diferente dos fundos tradicionais, os ETFs possuem baixa taxa de administração, replicam automaticamente uma carteira diversificada (no caso de renda fixa, títulos públicos) e permitem que pequenos e grandes investidores acessem estratégias sofisticadas com simplicidade, baixo custo e alta eficiência tributária. Em resumo, é uma das formas mais modernas e democráticas de investir no mercado financeiro.

O que é o PREX11 e como ele funciona?

O PREX11 é um fundo de índice negociado em bolsa que busca replicar o desempenho do IRF-M P2, um indicador composto principalmente por títulos públicos prefixados com prazo médio superior a dois anos (Duration ponderada). Os principais ativos que compõem o índice são:

  • LTN (Letras do Tesouro Nacional): títulos de desconto zero-cupom que pagam o rendimento integral apenas no vencimento.
  • NTN-F (Notas do Tesouro Nacional – Série F): títulos prefixados que pagam juros semestrais sob a forma de cupons.

Diferentemente dos ETFs pós-fixados (atrelados à Selic) ou indexados à inflação (IPCA+), o PREX11 oferece rentabilidade prefixada ponderada. Isso significa que o investidor consegue estimar a taxa de retorno da carteira consolidada, desde que a Duration média do índice seja mantida.

Principais características técnicas do fundo:

  • 🔸 Razão Social: Trend ETF IRF-M P2 Classe de Índice - Responsabilidade Limitada
  • 🔸 CNPJ: 65.594.290/0001-94
  • 🔸 Taxa de administração: 0,15% ao ano (uma das mais baixas da categoria)
  • 🔸 Preço unitário no lançamento: R$ 50,00
  • 🔸 Reinvestimento automático: Os cupons das NTN-F são retidos e reinvestidos pelo fundo sem incidência imediata de IR, gerando efeito de juros compostos.
  • 🔸 Liquidez & Liquidação: Cotização e liquidação financeira em D+0 no mercado secundário.
  • 🔸 Gestão e Custódia: Gestão passiva realizada pela XP Allocation Asset Management e administração/custódia pelo Banco BNP Paribas.

Para conferir a lâmina completa, histórico e evolução patrimonial, você pode acessar a página dedicada ao PREX11 no ETFs Brasil, que monitora dados atualizados de spread, patrimônio líquido e o código ISIN BRPREXCTF004.

⚠️ Nova Informação: O Impacto da Marcação a Mercado no PREX11

Por se tratar de um fundo composto por ativos prefixados de médio/longo prazo (com vencimento médio superior a 2 anos), as cotas do PREX11 sofrem forte impacto da marcação a mercado diária. Isso significa que o preço da cota flutua inversamente às expectativas da curva de juros futuros na B3:

  • Cenário de Queda de Juros: Quando a taxa Selic cai ou o mercado precifica cortes futuros na taxa de juros, as taxas dos títulos prefixados recuam, fazendo com que o preço das cotas do PREX11 suba de forma acelerada, possibilitando ganhos de capital expressivos acima da renda fixa tradicional.
  • Cenário de Alta de Juros: Caso a inflação pressione a economia ou o Banco Central suba os juros, os títulos antigos perdem valor de mercado. Consequentemente, o PREX11 pode apresentar rendimento negativo no curto prazo.

Diferente de levar um título do Tesouro Direto individual até o vencimento original, a carteira do ETF é constantemente rebalanceada pela XP Asset para manter o prazo médio constante do índice IRF-M P2. Portanto, o investidor deve usar o PREX11 de forma estratégica, aproveitando ciclos de afrouxamento monetário.

Vantagens tributárias que fazem a diferença

Uma das grandes atrações do PREX11 frente aos fundos de investimento tradicionais da mesma categoria é a sua eficiência fiscal otimizada:

  • Imposto de Renda Fixo de 15%: Incide exclusivamente sobre o ganho de capital no momento da venda das cotas. Não segue a tabela regressiva tradicional da renda fixa, eliminando a necessidade de travar o dinheiro por 2 anos para atingir a menor alíquota.
  • Ausência de Come-Cotas: Não há a antecipação semestral de imposto que corrói o patrimônio de fundos DI e de renda fixa abertos.
  • Isenção de IOF: Diferente de aplicações tradicionais, resgates feitos antes de 30 dias não sofrem a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras.

Essa estrutura simplificada é altamente vantajosa tanto para pessoas físicas quanto para investidores institucionais que buscam flexibilidade para realizar giros táticos de carteira sem sofrer punições tributárias pelo curto prazo.

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Conclusão: O PREX11 vale a pena na sua carteira?

O lançamento do PREX11 supre uma lacuna histórica no mercado brasileiro, trazendo a praticidade e a eficiência tributária dos ETFs para o ambiente 100% prefixado. Ele se mostra uma ferramenta fantástica para investidores que desejam realizar apostas táticas na queda dos juros através da marcação a mercado, ou simplesmente para quem busca diversificação rápida e barata em títulos públicos federais sem a burocracia das taxas de custódia do Tesouro Direto.

Contudo, devido à sua volatilidade natural ligada às expectativas macroeconômicas, ele não deve ser confundido com um fundo de reserva de emergência. A chave para o sucesso com o PREX11 está em alinhar o ativo com uma alocação diversificada e condizente com o seu perfil de risco.

💡 FAQ: Perguntas Frequentes sobre o PREX11

1. Qual a diferença entre investir no PREX11 e comprar uma LTN direto no Tesouro Direto?

No Tesouro Direto, você paga taxa de custódia da B3 (0,20% a.a. acima de R$ 10 mil) e está sujeito à tabela regressiva de IR (que começa em 22,5%). No PREX11, a taxa de administração é de apenas 0,15% a.a., o IR é fixo em 15% desde o primeiro dia, e os cupons são reinvestivos automaticamente sem bitributação.

2. O PREX11 possui garantia do FGC?

Não. Assim como qualquer ETF ou título público, ele não conta com garantia do Fundo Garantidor de Crédito. No entanto, seu risco de crédito é soberano, visto que o fundo investe exclusivamente em títulos da dívida pública federal emitidos pelo Tesouro Nacional.

3. Posso perder dinheiro investindo no PREX11?

Sim. Se você precisar vender suas cotas no mercado secundário em um momento de forte alta na curva futura de juros, as cotas estarão desvalorizadas pela marcação a mercado, podendo gerar perdas parciais se o resgate ocorrer no curto prazo.

4. Como funciona o pagamento de dividendos deste ETF?

Seguindo a regra geral dos ETFs de renda fixa no Brasil, o PREX11 não distribui proventos em dinheiro na conta do investidor. Os cupons recebidos das NTN-F são incorporados ao patrimônio do fundo, elevando o valor intrínseco da própria cota de forma eficiente.

5. Qual a diferença entre o PREX11 (XP) e o IRFM11 (Itaú)?

Embora ambos sejam ETFs de renda fixa prefixada baseados na família de índices IRF-M da Anbima, eles possuem duas diferenças cruciais:

O Índice Replicado: O IRFM11 (Itaú) replica o índice IRF-M pleno, que inclui todos os títulos prefixados do mercado, inclusive os de curto prazo (com vencimentos menores que 2 anos). Já o PREX11 (XP) foca exclusivamente no índice IRF-M P2, que só aceita papéis com prazo médio (duration) superior a 2 anos. Isso faz com que o PREX11 seja um ativo ligeiramente mais sensível à marcação a mercado (maior volatilidade e maior potencial de ganho na queda de juros).

Custos: O PREX11 entra no mercado com uma taxa de administração mais competitiva, de apenas 0,15% ao ano, enquanto o rival IRFM11 cobra 0,20% ao ano.

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